Olá!
Este é o primeiro artigo de 2008 e, que interessante, será o de número 33, a suposta idade que Jesus Cristo atingiu aqui na terra. Vejam só: foram, apenas, 33 anos, mas que geram, por séculos e séculos, frutos de esperança na humanidade. Esperança de que o amor triunfe acima de todos os ódios; esperança de que o bem sempre prevaleça sobre todo o mal; esperança de que nossas boas intenções e ações, mais do que heranças que deixaremos para os nossos descendentes, se reverterão, de alguma maneira, para nós mesmos, em um suposto momento de acerto de contas.
Tenho acordado todos os dias, de todos os anos, decidida a fortalecer essa corrente de fé, decidida a ser escoteira quanto à tarefa de lutar para que todas essas esperanças não sejam em vão. De que, no mínimo, a conta seja exata no toma lá da cá da vida, não segundo a lei de Talião, mas, segundo a lei do amadurecimento e da compreensão.
Então, o que desejo a todos vocês neste ano de 2008 é que os seus toma lá dá cá sejam muito mais de bens do que de qualquer outra coisa.
Espero que vocês realizem o que desejam, o que lutam para conseguir.
Que consigam, senão em abundância, pelo menos na medida do suficiente para sorrir mais.
O senhores leram no site os votos de Feliz Natal de Christine? Bem, dentre outras coisas, ela escreveu o seguinte:
Planejar e sonhar com o futuro, essa é nossa aspiração. Viver intensamente cada momento, cada amanhecer, cada sorriso recebido, cada sorriso ofertado, cada abraço, cada gesto de carinho... nossa inspiração.
Um desejo bonito e de coração, assim como vislumbro este novo tempo: bonito e regido pelo coração.
Um amigo-sobrinho muito, muito querido, me escreveu o seguinte:
Que os seus melhores dias de 2007
Sejam iguais aos seus piores dias de 2008.
Estendo aos senhores esta intenção, torcendo para que superem todos os “ses” que possam aterrorizá-los do sótão de suas cabeças.
Vou explicar essa questão dos “ses”, embora tenha certeza de que a maioria a conhece e pratica. É assim: se eu tivesse feito isso e não aquilo... se eu tivesse falado isso e não aquilo ... se eu fosse mais isso e menos aquilo... São os “ses” que apontam para o que não fizemos, para o que não escolhemos, para o que não aconteceu. Eles permitem que a gente viaje num comboio de opções que martelam nossa cabeça tornando-se, dependendo da causa, verdadeiros carrascos de nossa paz, cruéis fantasmas da possibilidade inexistente.
O martírio se dá exatamente por isso, porque não aconteceu. Então, nunca vai dar para saber como teria sido, mas a gente fica ali batendo na tecla do “se”. Vocês já perceberam como a gente não desiste fácil daquilo que nos atormenta? Por que será? Será que compartilhamos de um inconsciente coletivo que gosta de acarinhar o masoquismo? Será que tendemos a ser mais negativos do que positivos por atavismo (procurem o significadoem dicionários) e, desta forma, insistimos em prolongar questionamentos amargos/ aflitivos?
Bem, pode ser tanto por um quanto por outro, mas, pode ser, também, que se trate de uma tentativa nossa de fazer uma reparação na história vivendo, mesmo que na ficção, os resultados que não aconteceram. Talvez assim nossa alma, por deleitar-se com a ilusão, possa se saciar e continuar andando pelos jardins da vida até que um dia, ao acordar, sem se dar conta, estará, novamente, em condições de admirar suas flores.
Pensando bem, pode ser por tantas razões, não é mesmo, mas, o que me parece é que os “ses” ocorrem quando fica, de fato, alguma dúvida pendente no ar e dúvidas são danadinhas para tirar o sono da gente.
Não tenho nenhuma dúvida de que todos que me lêem sabem do que eu estou falando, sabem como é não dormir, ou, ser acordado pelos “ses”.
Os amigos que nos rodeiam nesta hora costumam dizer: bobagem, para de pensar assim, deixa isso pra lá, isso vai te fazer mal.
Pode ser que faça, ou não. Esse jogo do alternativo é fantástico.
De qualquer maneira, o imprescindível é que cada pessoa, quando se vê em uma situação deste tipo, procure entender o porque está fixa neste samba de uma nota só. Fale com alguém que esteja disposto a ouvir, fale o quanto for necessário até sentir que esgota a possibilidade da ilusão para poder voltar ao fato real e tocar em frente a partir dele. Muitos bem intencionados dizem que é preciso elaborar. Certo, mas, há coisas que não se elabora. Elaborar, trabalho do espírito que conduz a uma idéia, a um conceito (está lá no dicionário), nem sempre dá para ser feito. Aconteceu ... e pronto!
É esperar passar e ter muita paciência até que isso se dê. Paciência para com a gente mesmo, porque, há um ponto que é possível entender sobre a insistência dos “ses”: quando eles ocorrem, é porque o que aconteceu está doendo muito e está difícil de engolir!
Por isso, a todos que mergulham, de vez em quando, nas profundezas dos seus “ses”, eu digo: tenham paciência consigo mesmo. Sejam delicados para com o seu coração até que, um dia, ele cicatrize.
Quem sabe isso seja possível de acelerar se conseguirmos seguir, um pouquinho que seja, o estilo Dorival Caymmi de viver:
Se fizer bom tempo amanhã, eu vou.
Mas se por acaso chover, não vou!
Assim como foram 33 anos que plantaram, para sempre, a esperança em Cristo, são 33 artigos que plantaram, para sempre, o afeto, a torcida e o respeito por vocês.
E lembrem-se sempre:
As aves elaboram pacientemente os seus ninhos.
Abraço a todos
Gláucia Telles Sales