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Artigo 44
12/12/2008 -
 

Olá

Eu já estava a meio caminho do novo artigo quando recebi um e-mail da formiguinha da IMF, Rita, pedindo se eu poderia dispor minha composição em breve tempo para que ela enviasse junto com o Newsletter programado no gancho do Dia Nacional da Luta contra o Câncro, 27 de novembro.... Pensei cá comigo: posso, sim!

Eu quero participar com o Espaço de Vida do momento destinado à conscientização desta ferida que machuca profundamente tantas pessoas e seus familiares e o faz de uma maneira sempre cruel por tudo o que envolve, por tudo o que evoca de sentimentos e apreensões, independente de qual seja seu tipo e sua localização. Como bem lembrado pela IMF em sua chamada da Semana Internacional de Conscientização sobre o Mieloma:  

“Para a população em geral câncro é câncro”.

Lembrei-me de um depoimento e uma reportagem, ambos recentes, relativos a duas pessoas que vivem na pele a realidade da doença. Duas pessoas que sabem o que é o dia a dia de quem tem um câncer.

O depoimento foi feito por Beatriz Cury, que convive com o mieloma há 15 anos.

A reportagem foi inspirada no que passa o Excl. Sr. José Alencar Gomes da Silva, vice-presidente da República Federativa do Brasil (Revista Época, 04/10/2008).

Os dois encontram-se publicados no site da IMF Brasil (Depoimento Beatriz Cury e Reportagem do Excl. Sr. José Alencar Gomes da Silva), mas, eu resolvi traçar um diálogo entre eles. O resultado ficou assim:

Tenho pensado muito no que uma doença faz em toda a família, em geral, e como ela atinge a cada membro. Meu neto me perguntou na hora do almoço porque eu estava doente e eu lhe respondi que não sabia e que ninguém sabe por que ficamos doentes. (Depoimento)

Sabe-se hoje que câncro é um nome genérico para mais de 200 doenças diferentes, com formas de disseminação peculiares e diversos graus de agressividade. Ele é um inimigo antigo – em 1600 a.C., a luta contra um tumor de mama ficou registrada num papiro egípcio. (Reportagem)

Fiquei pensando no que mais a doença causa além da preocupação, se vai fazer faltar para alguns, no plano material, ou se vamos ser lembrados pela dor, pela própria dor que sentimos junto com este alguém que gostamos; ou até se causamos certa aflição e alguns se afastam por temor a dor. (Depoimento)

O rosto pálido e o incômodo provocado pelo corte cirúrgico de 40 centímetros no abdome eram, há duas semanas, os únicos sinais evidentes da mais recente batalha de Alencar contra o câncro. Quando me recebeu em seu apartamento, em São Paulo, ele era o mesmo de sempre. Expedito, objectivo, otimista. Não parecia ter enfrentado dias antes uma complicada operação de seis horas para extirpar três novos tumores. É a séptima vez em dois anos que Alencar enfrenta esse tipo de tumor. (Reportagem)

O que mais me impressionou é que percebi que quando passamos por uma doença grave, ou algo como uma descoberta que teremos que conviver com uma dificuldade maior em nossa vida de uma forma mais permanente, ficamos obrigados a ter que descobrir uma sensibilidade especial para nos tratarmos e tratar da doença.(Depoimento)

Dois dias depois de deixar o hospital, Alencar governava o país de seu ensolarado escritório residencial. O vice decidiu não se licenciar do cargo. De casa, sancionou algumas leis. Uma delas é a que proibiu letras miúdas em contratos. “Sancionei com grande satisfação. Agora, só com corpo 12”. (Reportagem)

Percebemos que não somos os únicos a passar por momentos difíceis, e isso já nos coloca num universo maior, de menos egoísmo. (Depoimento)

Em 2008, pelo menos 466 mil casos novos surgirão no Brasil. (Reportagem)

Percebemos que ninguém é perfeito e que agora só estamos precisando um pouco mais de ajuda, e por isso precisamos aprender também a pedi-la. (Depoimento)

Receber o diagnóstico é o passaporte para uma realidade duríssima. O combate exige persistência, disposição. (Reportagem)

Muitas vezes aprender com a dor é a única forma de aprender e não se poupar. Nos faz desenvolver a outra forma de sensibilidade que temos escondida em nós mesmos. (Depoimento)

Com uma simplicidade cativante, o vice-presidente adoçou meu café e me serviu. (Reportagem)

A cada momento um novo prisma pode se abrir. (Depoimento)

A partir do século XIX, a ciência conseguiu reunir um arsenal capaz de fazer frente a ele. Os médicos o atacam com emissões de raios X, com coquetéis de drogas, com bisturis e agulhas. A multiplicação de descobertas sobre a doença enche a sociedade de esperanças. E há mesmo o que comemorar. (Reportagem)

Encerrando o diálogo construído ao sabor do que ditou minha alma e com autorização concedida pela minha humanidade que sofre junto com quem sofre, que se alegra junto com quem se alegra, que vibra junto com quem vibra pelas boas notícias, escolho, para fechar esta comunicação, uma frase que resume a expectativa desta e de todas as datas reservadas à lembrança de que a luta não pode parar:

         “A cura do câncro é uma das maiores aspirações da humanidade”.

Até a próxima

Gláucia Telles

 

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